Aqui não é como os contos de fadas que tem começo, meio e fim. Aqui tem dragões, fadas, elfos, unicórnios, espadas, arcos e flechas. Nada aqui é feito sobre regras, eu sou uma Rebelião pedindo, implorando por liberdade.
Seja bem-vindo(a) ao meu mundo.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Anotações líquidas.


Anotações líquidas.


Sim, minhas anotações foram perdidas,
rasgadas, esquecidas.
Foram molhadas por minhas lágrimas, pela água que sem querer deixei cair,
ao quase desmaiar de saber que não me ama mais.
Minhas anotações, memórias foram esquecidas, ficarão perdidas, serão apenas fragmentos dos meus sentimentos por ti.
Tão líquida serão minhas anotações, quando meu amor foi por você,
tão límpido como a água, como o riacho.
Sem intenção te amei, por intenção me esqueceu e, com isso, minhas anotações se tornaram líquidas, e perderam em meio do nosso rompimento.
Memórias estas, tão frágeis que foram colocadas no papel, este que amarela, rasga, molha, suja e queima.
Sim, minhas memórias são frágeis, são como o cristal, não as toque.
Meu amor também, é cristalino e fino, não suporta altas temperaturas, tampouco altas pressões.


Texto redigido em 14 abril, 2006.
Foto: Fábrica Abandonada (não autoral).

Quem diria que um dia, esse texto se tornaria tão real e verdadeiro. 

domingo, 9 de abril de 2017

Preciso.

Preciso escrever, rasgar o peito,
soltar o verbo,
quebrar as paredes,
roer os dentes,
quebrar as barreiras,
correr com o vento.

Preciso gritar aos quatro ventos,
preciso abrir os portões da loucura,
preciso atingir os outros,
preciso d'uma pausa.

O tempo precisa parar,
o relógio retornar,
preciso que as flores cessem seu crescimento,
que a respiração diminua.

Somos flores em meio a tempestade,
somos o vento que acelera, pausa e passa como uma brisa.
Somos como o fogo que queima.

A chuva precisa cair,
retirar toda a lama do solo,
lavar as pétalas,
levar tudo embora.

Preciso ouvir minha voz interior,
meu "eu".

Correr em direção do vento,
ouvir a voz da natureza,
seu canto,
sua brisa, seu vento,
sua firmeza.

Herdar a firmeza das rochas,
a tranquilidade dos riachos,
a fúria e profundidade do oceano,
a intensidade do fogo e,
o silêncio do vento. 

domingo, 2 de abril de 2017

"[...] E eles se olharam e tudo mudou [...]"

Era carnaval.

Colombina olhou pela janela e viu uma festa como nunca antes vista.
Um carnaval, carnaval de amores, de alegrias e fantasias.
Seus olhos brilharam com aquela cena.
Ela fechou a janela na ânsia de estar lá.
Procurou seu vestido mais bonito, ajeitou o cabelo e saiu.
Pôs o pé na rua, como se descobrisse o mundo naquele momento.
Tudo é sempre novo para Colombina, uma experiência nova.
Uma criança se aproxima dela e corre em volta dela com uma fita.
Em seu coração ela sabia que aquela noite seria uma noite especial.
Os risos eram constantes, ela não sabia qual riso era mais gostoso de se ouvir.
Até que Colombina percebe que foi notada,
Um rapaz...
Era alto como os obeliscos egípcios,
seus olhos castanhos como a cor das montanhas,
e sua barba que escondia um singelo sorriso ao vê-la, eles se olharam e tudo mudou.
Os olhos dele fitaram em Colombina que paralisou, não sabia ao certo para onde ir ou o que fazer, já que estava ali, naquele carnaval.
Seu nome ninguém sabia.
Ninguém o conhecia, mas parecia que ele conhecia a todos.
Sempre sorridente, tratava todos bem.
Colombina só o observava, de longe.
Pierrot veio se aproximando dela, perguntou-lhe o nome, ela disse, Porém, como era Carnaval, ele escolheu chamá-la de Colombina, disse que combinava com o jeito doce dela. Então, ela lhe deu o nome de Pierrot. Eles se tornaram namorados, algo os arrebatou.
Na primeira noite de carnaval, Pierrot olhava para Colombina como quem olhava para o Taj Mahal admirando toda a bela construção de seu rosto, os detalhes de suas mãos e curvas dos seus lábios. Os olhos de Colombina eram perigosos e seduzentes, dizia ele. Colombina apenas sorria.
No final do carnaval, Colombina se despediu, mas Pierrot se pôs a chorar, disse que não havia conhecido mulher alguma como ela. Ele se debulhava em lágrimas e Colombina não podia entender o que estava acontecendo.
Prometeram um ao outro que - como o dia seguinte - também era carnaval, eles se veriam.
Isso aquietou o coração de Pierrot, mesmo contra sua vontade ele acatou, sem reclamar.
Na noite seguinte, Pierrot ainda muito cuidadoso e amoroso para com Colombina. Fazia tudo para e por ela.
Colombina sentia-se nas nuvens, ela sempre foi sonhadora por natureza. Se não existisse gravidade... pobrezinha!
Na segunda noite, Pierrot cantou para Colombina, dizendo que ela era a "definição do que era amor". Colombina olha-o sem entender nada. A noite passou e mais uma vez, quando Colombina decidiu ir embora, Pierrot chorou, lamentou distanciar-se da amada.
Na terceira noite, Pierrot já não era o mesmo, passou a ser mais sério, até mais ríspido. Colombina, com seu jeito doce, por várias vezes tentou amenizar a situação. De forma insatisfatória, aquilo só a frustrava.
Num certo momento da terceira noite, Colombina buscou com seus olhos Pierrot, achou-o falando com rapaz, de forma de desabafo e ao mesmo tempo, reclamando de algo do qual ela não tinha conhecimento. Colombina olhava, não com olhos ternos, mas desconfiados.
Colombina era mulher.
Colombina sabia que Pierrot havia visitado outros locais, mas Colombina também sabia que os maiores e melhores tesouros estão escondidos nesta terra.
Enquanto Pierrot conversava com o tal rapaz - do qual ela não tinha conhecimento - Colombina pensava no que poderia existir ali.
Ao término do terceiro dia, Pierrot não chorou, quem derramou lágrimas foi Colombina, ele a olhou, não esboçou nenhuma reação. Colombina então guardou para si.
Na última noite de Carnaval, Pierrot não era mais o mesmo, sua rispidez em sua fala, correspondia a firmeza de seus passos. Sua língua não servia mais para percorrer os lábios de Colombina, mas para maldizer opiniões diversas. Antes seus braços eram abertos para todo e qualquer abraço. Agora, seus braços estavam mais fechados do que um louco de sanatório na camisa de força. De repente, seu cenho ficou rígido, seu toque se tornou estranho, seu beijo sem amor, sua barba sem paixão.
Colombina olhava e questionava Pierrot, em nada lhe deu resposta. Colombina insistia em explicações e o mesmo, rígido como uma coluna grega.
Pois bem, Colombina decidiu, está terminado. Nosso carnaval acabou.
Pierrot virou as costas como se não deixasse nada para trás, e não deixou.
Pierrot pode andar o mundo todo, pode ir até os confins das cavernas, pode encontrar com povos conhecidos e desconhecidos, mas nunca, em nenhum canto do mundo encontrará alguém como Colombina.

E isso, ele sabe.